
Estava aqui pensando em como ser mãe é mesmo um negócio maluco. Porque desde o momento em que me tornei mãe, minha vida virou de cabeça para baixo, para nunca mais voltar a ser o que era antes. Tudo se redefiniu, Minhas prioridades mudaram. Passei a pensar naquilo que nunca tinha sido importante. Meus horários, minha aparência, minha energia, minha rotina… Tudo isso muda.
As coisas mais cotidianas e banais ganham uma graça toda especial. Fazer comida, tomar banho, escovar os dentes, trabalhar, falar ao telefone, ler um livro. Todas essas tarefas, a princípio básicas e cotidianas, ganham contornos de esporte radical quando se tem filhos em casa. E eu que me achava tão previsível, passei a encontrar as formas mais inusitadas para concluir as tarefas diárias. Isso, além dos micos e palhaçadas que acabo me submetendo – queira eu goste ou não.
Não é fácil, não. Sem dúvida, as coisas são muito mais simples quando a gente tem uma cartilhinha bem moldadinha, tudo pré-definido e bem controlado pra gente seguir. Bom, podem até ser mais simples, mas não têm nem metade do encanto.
Porque o grande barato de ser mãe é isso: se abrir, comprar a briga, encarar o desconhecido e entrar em campo disposto a jogar. E a parar pra pensar onde é que pode mudar de estratégia. E a levantar e começar tudo de novo, cheia de disposição. E, a saber, que sempre tem onde melhorar. Eu, que já tinha poucas certezas na vida, hoje tenho uma só. Seja o que for que eu faça daqui por diante, vai ser sempre com um único objetivo: fazer dessa pequena patotinha que me rodeia e que eu amo tanto uma família feliz. Não uma família ajustada, equilibrada ou correta pra quem olha de fora. Apenas feliz. Pra quem olha de dentro. No fim das contas, é só isso mesmo que importa.


Ela está sempre comigo. Alphaville. Bem onde o vento faz a curva. No café da manhã, no almoço, por e-mail, no telefone, na academia, nas idas e vindas, na troca de idéias. Até nas aporrinhações do dia-a-dia. Risos e desabafos. 

Picture by Vê Barros
