DIAS NUBLADOS

Olhando pela janela vejo um dia nublado. Minha alma está nublada. Vejo minha vida com sorrisos, mas meus próprios olhos me enganam, com o mesmo sorriso, num gesto ou numa palavra. Quanta dor me causa esta máscara? Não sei. Talvez as dores dos últimos tempos, dos últimos espinhos em minha alma, que sangra lentamente, deixando cicatrizem que não vi, mas senti e que aos poucos me mata, numa morte lenta, dolorida e silenciosa sem que haja remédios para cura. É um câncer da alma. Enraíza-se pelo meu corpo, sufoca meu peito, e nesse lento definhar, permaneço inteira, mas toda dolorida. Quis um dia ser poeta para desmanchar-me em palavras bonitas, sonetos. Queria ser criança e não crescer mais. Quero esquecer tudo e lembrar sempre que daqui nada levamos, a não ser a alma. E essa dor, esse medo que preenche meus dias e minhas esperanças? Procurei um amor que não sei se é meu, sonhei sonhos que não pude ter, sou sombra de mim mesma..