A menina dos olhos
E la Percorria 37 km/h para chegar ao trabalho, e mais uma vez, nessa mesma estrada, foi admirando a bela paisagem que surgia a cada trecho corrido. Montanhas, casas, estradas que se perdiam no meio de tantas árvores. A luz do dia colaborava para tornar tudo mais fantástico e inesquecível. Tirou os olhos da estrada por alguns segundos. Guardou todo aquele encanto na memória. Sentiu um aperto no coração, um aperto de alegria misturado com saudade e dor.
Recordava todos os momentos bons de quando era criança. Lembrou da ultima viagem feita com seu pai. Ele a chamava de menina dos olhos . Uma viagem que jamais esquecera. Rememorava o tchau que deu pela ultima vez, sem saber que seria o ultimo. Lembrou-se dos olhos cansados de seu pai. Olhos de tanto sofrimento. E ainda assim, ele a chamava de menina dos olhos . Acariciou suas mãos e seu rosto abatido. Resolveu deixá-lo descansar.
Sentou-se na calçada da casa. Olhava para o vazio e recordava quantos momentos bons ele havia proporcionado a ela. Lembrou do primeiro emprego longe de casa. Ele acompanhou todo o trajeto para a menina dos olhos não se perder no caminho. Dentro de um ônibus lotado, sentiam-se únicos, ele e a menina dos olhos . Estavam felizes e ao mesmo tempo preocupados. Ela de ficar longe de casa e ele de ter que deixá-la sozinha num lugar desconhecido.
Hoje, talvez, se ela tivesse enxergado a gravidade da sua doença, não teria poupado mais tempo ao seu lado. Visitaria mais e não se contentaria com as desculpas da sua mãe. Se ela soubesse disso, teria abraçado mais, teria viajado mais com ele, passado mais tempo ao seu lado, teria feito mais arte para receber mais broncas. Sentia saudades de suas palavras, carinho e apoio. Sentiu saudade do seu colo, do cafuné que recebia nas longas noites em que assistiam filmes e mais filmes. Sentiu saudades dele chamando " menina dos olhos", apelido dado por ele. Ela chega no seu rumo. Despertou para a realidade. Sentiu-se feliz pela pouca recordação que veio em seu pensamento. Recordação que contiunará guardando com carinho e ternura. E a vida continua.
Eu perdi meu pai há 19 anos e não tem um dia que não pense nele.
beijos
Bem, obrigada pela visitá chará, estou aqui retribuindo e digo a vc uma coisa: não sei o que é pior, sentir falta de um pai que morreu de fato ou não conseguir estabelecer uma boa relação com uma pai totalmente ausente por anos e que do nada, resolve reivindicar amor incondicional!
FIca com Deus e um abraço.