Arquivo para abril 2008

PEQUENA JULINHA

17 de abril de 2008

Julinha é, definitivamente, uma miniatura de moça. Nasceu com 51 cm, 5 quilos, branquinha, parecia uma japonezinha de tão gorduchinha. Mamou pouco o leite materno… Era véspera de Natal quando meu leite resolveu secar, e infelizmente não consegui amamentá-la mais. Começou a comer papinha cedo, com 4 meses. O leite em pó não sustentava aquela tourinha. Largou a fralda com menos de dois anos. Passou a dormir de calcinha desde que voltamos da praia em janeiro de 2005, e só deixava escapulir o xixi na cama em raríssimas ocasiões.

Agora com 4 aninhos continua tirando sua sonequinha de tarde e continua pedindo seu “tete”, – “deixei de fazer desse hábito um cavalo de batalha“.

Como posso achar ruim chegar em casa e ser recepcionada na porta por uma menininha festiva, cheia de vontade de conversar? “Mamãeeeee…chegou mamãe?”, ela grita de dentro de casa, quando ainda estou tentando abrir a porta. Ela, toda  sorrindente e feliz, vira a bochecha para um beijinho molhado.

O tempo urge enquanto ela cresce e fala. Puxo conversa, pergunto como foi o dia, quem ela viu na escola. Ela atropela as informações, larga frases pela metade. Olha para o lado buscando palavras que desconhece e confirma ter encontrado com as amiguinhas de sala.

“Mamãe não tomou banho não? Ainda não?”, ela comenta, quando eu peço para ela deixar eu tomar banho. “Posso, filha?” –  “Pode”, ela diz, sem muita convicção, para choramingar assim que eu ameaço deixar o quarto.

Deitamos juntas para o ritual da historinhas ou de cantorias.  Lá pelas 22h  ela pentelha, fala mais que a pequena boquinha. E daí que ela não quer dormir? Eu invento tanta melodia que sou incapaz de reproduzir novamente um só verso. Nem a letra. Às vezes fica bom, às vezes ruim, mas que diferença faz? “Mamãe…” – ela cochicha no meu ouvido – “Eu te amo… Beto também”  Penso que ela ama o Beto também ou que ele me ama também.

A frase de dupla interpretação é perfeita. Depois tenho que parar, sob risco de a declaração de amor varar madrugada adentro. De repente, tudo se faz silêncio. Deixo a Julinha cochichar sozinha até desistir da conversa. Às vezes ela vira de um lado para o outro repentinamente, fica inventando sons com a chupeta na boca… finalmente boceja, vira para o lado, suspira e dorme. Até de manhã, quando será ainda mais menina.
 
 
 

 

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DEITADA NA NAMORADEIRA… OLHANDO PARA A PAREDE AZUL DA SALA…

14 de abril de 2008

 

Perdi o parâmetro por alguns momentos. Resolvi levantar e pegar o notebook para escrever alguma coisa ou qualquer coisa que pudesse passar pela minha cabeça naquele momento. Não sabia se começava por mim, por alguém, por qualquer lugar ou por alguma lembrança. Já era quase meia noite, tinha acabado de assistir  O Nome da Rosa. Perdi o sono. Não havia nada que eu pudesse fazer, além de comer chocolate e escrever. 

Vítima de mim mesma optei escrever histórias alheias… Misturei essas histórias com as minhas próprias histórias. Não perdi tempo, perdi apenas minutos, ou talvez alguns segundos dessa dilação que não passa.  

  Da apreciação momentânea nada restou, apenas algo que só se possa enxergar quando possível, ao olhar novamente para trás com tranqüilidade e selecionar entre tantas visões, imagens, olhares e pensamentos detalhes de uma vida… de uma existência.