Archive for the ‘SOBRE OS SENTIMENTOS’ category

Te procurando em mim

27 de março de 2015


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Está fora do contexto

Desconcentrei-me com a dor que aperta meu peito

Desconcentrei-me com a escuridão da noite

Me aconchego entre rasgos de lembranças

Simplesmente te procurando em mim

Tentei ultrapassar meus limites, meu espaço…

Tento manter a lucides na coerência das ideias

Sinto-me partindo em pequenas partes

Fragmentada

Dividida entre o sonho e a realidade

A lembrança que me envolve

Transborda a esperança e a paixão

Clareio meu pensamento

É hora de descansar, então

Reviro para o lado

Estou quase do avesso

Tento ultrapassar meus limites

Mas nada clareia meu pensamento

Te procuro novamente dentro de mim

Afagando as recordações em minha mente

O amor me pegou de tal forma

Que não soube chegar e por um fim.

Quem ama uma vez, nunca esquece

Porque fica a marca no coração

Estou certa de que amor não sentirei mais

Porque ele está prezo dentro da minha solidão

O amor adoeceu

Minha mente o apagou aos poucos

O que restou dessas partículas doloridas

Foi a paixão em letras coloridas

Meu amor está morrendo

Instaurando-se a falência

Busco conselhos, sugestões, alternativas

E a única resposta que encontro

Que o amor é amor e pronto!

 

 

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Personalidade: Doçura X Força

24 de fevereiro de 2010

Imagem: Nanda Teixeira
 

Essa semana andei pensando que  devia mudar tudo. Tudo que me complica. Não deixar de ser tudo o que sou, mas poder ser um pouco mais do que eu sou. 

Eu tenho uma personalidade forte e um jeito que é meu mesmo. Bem próprio, e que contrasta com o que se espera de uma pessoa forte. Sou doce, sou tranquila as vezes até serena demais. Sou mais brisa que vento. Tenho um jeito próprio de levar as coisas, e a vida. Na maioria das vezes compreendendo a marcha e toco em frente.
Vai daí que a tão decantada insegurança, sempre me fez sentir que me faltava alguma coisa. Que a minha doçura, essa tranquilidade de Imensidão Azul (filme do Luc Besson que lembrei agora), como me disse uma vez um grande amigo, significava uma incapacidade, talvez uma fraqueza.
Pensei assim por muito e muito tempo, muito mais do que eu gostaria. E de repente ela veio. Assim, sem aviso. A descoberta.
De que a força é matéria moldável, e também pode ser companheira da tranqüilidade. Que pode, andar de mãos dadas com a doçura.
E foi assim, meio sem querer, tropeçando nas respostas, que me dei conta de que a força que sempre quis ter já faz parte de mim. É o que eu sou, e eu não sabia.
É fantástica mesmo essa roda incessante da vida. Essa dinâmica incrível que nos impulsiona para a frente, que faz a gente crescer, tentar melhorar, sair sempre do lugar onde já havia se acomodado e dar um passo adiante. Mais uma vez, eu vejo e percebo que a solução está sempre dentro, não fora. Sempre. Sempre que a gente se vê buscando respostas, não tem nada melhor que voltar-se para si. E ela vem. Basta esperar, que a resposta vem.
Esperar, e acreditar. As vezes é difícil mas é preciso esperar.
Sim, isso mesmo. Esperar e acreditar.

 

 

*… No mais agudo e doído do seu sentimento ela pensava: Sou feliz. Na verdade, ela o era nesse instante…”
 
*Os Bonecos de Barro 
 Clarice Lispector   

Macabéa – Nem tudo o que é bom, dura para sempre…

1 de setembro de 2008

M acabéa acordou no domingo mais ou menos 09h00. Sob a luz do dia, apertava os olhos para enxergar os traços do seu adorável e amado Príncipe Bob. Por menor e mais simbólico que fosse aquele domingo, ainda sim, para ela, seria mais um domingo cheio de alegria e amor, simplesmente por estar ao lado do tão sonhado Príncipe Bob.  Espreguiçou-se demoradamente, tocando as mãos ao lado para sentir e ter certeza de que não passava de um sonho. Macabéa ouvia a respiração dele, tão próxima e quente, que poderia ser a sua. Olhou por cima do ombro, um belo corpo, as lembranças agora eram frescas. Os raios de sol surgiam naquela manhã fria. Levantou-se, camiseta verde e meias rosa. Aproximou-se da janela e respirou profundamente o vento frio da manhã. Deixou que os lábios formassem um sorriso que só ela conhecia bem. Achava que estava em mais um dia realmente feliz – Príncipe Bob surpreendentemente estava ali. Macabéa sentiu vontade de registrar aquele momento que lhe era tão prazeroso.  Foi até a mesa da cozinha, abriu a bolsa e pegou papel e caneta. Queria colocar um pouco das idéias no papel ainda naquele momento, do contrário, perder-se-iam em meio a tantos afazeres e chuvas de pensamentos que costumava ter.

Nossa querida e aprendada Gata Macabéa Borralheira, estava com um coração abestalhado, abrandado e debulhado. Poderia sim ter sido um domingo feliz. Queria registrar. Escreveu uma pequena frase: “por que te amo tanto?” Guardou o papel e pegou a chaleira para preparar o café do seu amado. Respirou profundamente, deixando-se invadir pelo prazer que sentia naquela ocasião. Durante àquelas horas de contentamento em seu reino, Macabéa estava envolvida com certo vate. Durante aquele dia e tarde preservou-se de todo e qualquer hábito desagradável que tinha. Queria estar bela, agradável e com cheiro de frutas vermelhas e cacau para seu Príncipe Bob. Queria enfim estar a altura. Altura de quê, cacete? Conscientemente nem ela sabia que ele estava achando tudo aquilo, que não era nada disso, rotineiro, tedioso, maçante e o diabo a quatro. Enfim, depois de várias sessões de DVD, carinho pra cá, carinho pra lá, Macabéa achando que tudo estava perfeito, completo e primoroso, Príncipe Bob quebra o encanto de mais um final de semana com suas dúvidas e imprecisões. Quebrou suas propostas de ser uma “boa-mocinha-amada-amante” .  Só então Macabéa pôde entender que Príncipe Bob é sempre imprevisível, com suas ações, reações, anseios e resoluções. A tarde passou. Distanciaram-se.

Macabéa estava lá, seguindo pelo caminhozinho de flores, amor e paz, sabia que fora apenas vontade dela de que tudo tivesse dado certo. Macabéa resvalou-se em tristeza, puta sentimento ruim. Surgiu a carência pelo abalo da treta que rolara naquele começo de noite. Macabéa passou o resto da noite desfigurada de desgosto e indecisões, depois de Príncipe Bob ignorá-la pela qüinquagésima vez, como vem acontecendo rotineiramente. Macabéa ficou mergulhada em seus pensamentos. Percebeu que o tempo passa, mas seu sentimento não consegue mudar. Então ela se pergunta: “porque as coisas têm que ser assim?” Realmente as coisas não dão certo às vezes, mas Macabéa nunca duvidou de nada, principalmente que nada seria como ela sempre desejou.